quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Manu Scriptum - XX [Parte 1]
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
13 - “…O número de telefone é 124.”
O remetente:
Remetente Pedro Pereira Graça
Bairro Santa Catarina, n.o 11 1 D.t Dafundo
Lisboa
O destinatário:
Ex.o Sr.
Manuel Pereira Graça
Fábrica de Vidros Melo
Marinha Grande
O conteúdo:
“Lisboa 13/9/43
Amigo e irmão estimo a saude de todos nós por aqui vamos todos bem. Então as melhoras do nosso pai como vão?
Quando cheguei a Lisboa escrevi-te um postal com o número do telefone para onde devem telefonar, em caso de urgência, aos sabados depois da uma hora da tarde e durante o domingo desde as 9 da manhã até as 9 da noite. O número de telefone é 124.
Logo que recebas esta carta vai um dia depois á estação para levantares as cestas que eu trouxe quando vim. Vai dentro das cestas um saco que é para a Rosa encher de camisas, e umas meãs que são da mãi e da Etelvina, vai também um pouco de bacalhau ai para casa. Segue também uma garra-termo que se fizeres o favor entrega-la ao António Moreira.
Logo que a Maria tenha os sacos das camisas cheias fás-me favor á estação e despacha-mos para aqui, a pagar cá.
Depacha-os para Pedro Pereira Graça
Bairro Santa Catarina, n.o 15 r/c D.t Dafundo
Estação = Algés
Lisboa
Segue nesta carta a guia do caminho de ferro do depacho dos cestos e com a vai levantá-las.
Sem mais: cumprimentos para todos e tu recebe de mim um grande abraço deste teu irmão.
Pedro Pereira Graça”
domingo, 25 de outubro de 2009
12 - “A ocasião é propria.”
O remetente:
Pedro Pereira Graça
Bairro Santa Catarina, n.o 11, 1o D.t Dafundo
Lisboa
O destinatário:
Ex.o Sr.
Manuel Pereira Graça
Fábrica de Vidros Melo
Marinha Grande
O conteúdo:
“Lisboa 17/7/43
Amigo e irmão a tua saúde assim como a da restante família é o que desejo eu e os meus todos bem.
Recebi a tua carta. Sobre a saúde do pai pouco ou nada há a esperar. Assim continuará até ao resto da vida.
Aqui há tempos quando escrevi ao cunhado Bartolomeu pedi-lhe para vocês aí chamarem um desses homens que tiram retratos á ala minute e tirar um retrato ao pai e outro á mãi. Ou ele trata-se disso ou não; pedia-te também que me fizesses êsse favor que eu quando aí for lhes pago a importância que gastaram. Peço-vos por tudo que lhe mandem tirar o retrato, tanto ao pai como à mãi.
Recebes-te aí algum dinheiro que o Manuel Lavrador te desse? Caso êle te dê 18$00 escudo rebe-os porque foi de uma garrafa que lhe mandei para êle pelo Pedro Oliveira.
Então sobre o teu maçarico já fazes ampolas? O teu patrão Aurélio´já te deixa ires trabalhar para a fábrica dêle ás tardes? O que pensas tu fazer? Eu aqui há muito que venho estudando o assunto, só agora resolvi porporte aquilo que penso, assim tu concordes e os outros. O que eu pensei é o seguinte: eu, tu, e os dois cunhados fazer-mos todos uma sociedade onde todos trabalhássemos para assim melhor governar a vida. E assim cada um recebia consuante o seu trabalho.
Aqui á tempos falei aqui com um individuo que me ficava com todas as ampolas que eu arranjá-se. Se isso se combinar eu vou novamente falar com ele e nós vamos todos os 4 trabalhar tanto em ampolas como em outros artigos. Caso concordes com isto que exponho manda-me dizer para então eu ir á Marinha e falar-mos mais detalhadamente nós e os cunhados sobre o assunto. Há muita coisa no vidro que se pode fazer e com pouco trabalho. A questão é nós lançar-mos na vida. A ocasião é propria.
A Alda ainda não fez o exame da 4.a classe.
Eu logo que tenha resposta a esta carta, sobre o assunto que nela trato, vou á Marinha. Para isso eu pedia-te tanto a ti como ao cunha Bartolomeu se me compravam aí 5 litros de azeite para eu trazer quando lá fosse, pois que não tenho nenhum nem possibilidades em o arranjar aqui.
Tenho aqui um pouco de sabão para mandar, logo que possa o mando. Sem mais, cumprimentos para todos e tu de mim recebe um grande abraço deste teu irmão.
Pedro Pereira Graça
O Cesário já foi posto em liberdade?
Porque foi ele preso?”
sábado, 24 de outubro de 2009
11 - “Tenho a dizer-vos que cheguei bem.”

O destinatário:
Ex.o Sr.
António Pereira Graça
Fábrica de Vidros Melo
Marinha Grande
O conteúdo:
“Dafundo, 16 de Dezembro de 1941
Meu pai muito estimo que esta minha carta os vá encontrar de saude que eu bem. Tenho a dizer-vos que cheguei bem. Quando cheguei à estação do Rossio já o Pedro lá estava à minha espera para me acompanhar a casa del.
Não façam conta comigo antes de Domingo porque só vou a noite no comboio que chega ai ás 11 horas da noite. A Alda manda muitos beijos e abraços para vocês todos. Com isto termino.
Adeus até Domingo
Manuel Pereira Graça”
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
10 - “Ia custando ma foi.”

O remetente:
Pedro Pereira Graça
Bairro Santa Catarina, n.o 11, 1o D.t Dafundo
Lisboa
O destinatário:
Ex.o Sr.
Manuel Pereira Graça
Fábrica de Vidros Melo
Marinha Grande
O conteúdo:
“Lisboa 1/12/1941
Manuel antes de tudo estimo a saúdos nossos pais assim como a restante família incloindo tu também.
Manuel já com esta é a 3.a carta que vos escrevo, sem que, me dei resposta a nenhuma. O motivo porque vocês o têm feito e continuem a fazer não sei nem posso saber. Há momentos que pregunto a mim mesmo se anida tenho família na terra, pois que, há 3 ou 4 longos meses que não tenho notícias de vós, por isso não sei se são vivos ou mortos.
A que se deve esta auxência de correspondência? Pela minha parte não sei dezer. Às 3 cartas que escrevo, creio ser o suficiente para ter demonstrado que anido os não esqueci. Porem, parece-me que da vossa parte tal se não dá, porque ainda que durante este tempo não tevesse escrito, já teriam o dever de o ter feito a saber o que havia da minha parte e as razões porque não escrevia. Mas 3 cartas é alguma coisa e 3 ou 4 meses também é muito tempo embora pareça que não.
Nas cartas que escrevi pedia para que, mandássem dizer o que havia quanto ás contas e despesas da casa, isto é, tudo quanto havi, mas até agora ainda nada sei sobre o assunto. Por isso vos peço que quando resolverem escrever digam alguma coisa sobre esta questão.
Sem mais, muitos cumprimentos para toda a família, um abraço para o pai outro para mãe e tu recebe também um assim como a Josefina e a Alda também recomendo
A minha Isabel começou agora a andar. Ia custando ma foi. Já está bem cara mas tenho-lhe feito pela vida tudo quanto era possível a um pai.
Como vai por ai a vida? Por aqui tudo muito mau mas vamos indo enquanto Deus quiser.
Pedro Pereira Graça”


